FotodaTécnica: Profundidade de Campo

Na postagem “Por que sua câmera compacta não desfoca o plano de fundo?”, discutimos um pouco das limitações de câmeras compactas na separação de diferentes planos. Continuando esse tema, gostaria de explorar um pouco mais a Profundidade de Campo (Depth of Field ou apenas DOF), incluindo diversas imagens para exemplificar os possíveis elementos que a afetam.

Primeiramente, quero frisar que não há mistério. Conhecendo as possíveis variáveis que afetam a DOF, você pode manipulá-la da maneira que quiser e passa a ter um controle bem maior sobre o processo de criação de imagem.

Existem três variáveis que afetam a profundidade de campo:

1. Abertura da lente

2. Distância focal

3. Distância de foco

Vamos diferenciá-las. Abertura (aperture) da lente é literal e auto-explicativo: em termos simples, é o diâmetro da abertura que permite a entrada da luz no sensor/filme. Esse diâmetro não é fixo e pode ser controlado pelo fotógrafo. Ela é representada por um número antecedido da letra F (exemplo: F2.8, F4, F8, F11 etc). Atenção: quanto maior é a abertura, menor é o f-stop, esse número de que falei acima. Ou seja: F2.8 é uma abertura MAIOR do que F11.

Distância focal (focal distance), como discutido no outro artigo, é a distância entre o ponto de foco da lente e o sensor da câmera. Pense assim: quanto maior o “zoom”, maior a distância focal (essa definição é apenas para fins explicativos, ok? Na verdade, zoom é outra coisa, mas vamos usar esse termo porque todo mundo conhece). Exemplos de distâncias focais são 50mm, 135mm, 200mm etc.

Distância de foco (focus distance) é a distância entre o sensor/filme e o ponto de foco da câmera. Isso, claro, muda toda hora: se você foca em algo próximo – como em uma pessoa para fazer um retrato -, a distância de foco é curta; se for fotografar uma paisagem distante, a distância de foco é longa.

Sendo simples e direto (anote aí), mantidas as demais variáveis:

1. Quanto maior a abertura, menor a profundidade de campo;

2. Quanto maior a distância focal, menor a profundidade de campo;

3. Quanto maior a distância de foco, maior a profundidade de campo.

Pronto, você sabe o que afeta a DOF de uma imagem, é simples assim! Como já havia falado no artigo de câmeras compactas, elas usam uma distância focal muito pequena, o que explica a profundidade de campo tão grande que praticamente não pode ser manipulada.

Agora vamos a alguns exemplos. Para comparar as diferenças citadas acima, eu utilizei a Canon 5D, que é uma câmera Full Frame, com o sensor do mesmo tamanho das câmeras analógicas mais comuns. Ela permite um excelente controle de DOF, então fica mais fácil destacar as diferenças. Ao final eu também comparo, na prática, qual é a diferença entre uma câmera dessas e uma compacta, em termos de DOF.

Canon 5D e Canon G11

 

Inicialmente, vamos comparar uma série de aberturas: F4, F11 e F22. Repare que, quanto maior a abertuta (e menor o número), menor é a profundidade de campo. As outras variáveis foram mantidas.

Canon 5D, iso100, 1/30s, 80mm, F4

Canon 5D, iso100, 1/30s, 80mm, F11

Canon 5D, iso100, 1s, 80mm, F22

Dá pra perceber que as casas ao fundo começam a aparecer conforme diminui a abertura da lente. Para visualizar melhor, clique nas fotos.

Agora, vamos comparar a diferença causada pela mudança da distância focal. As outras variáveis foram mantidas.

Canon 5D, iso100, 1/40s, F5.6, 24mm

Canon 5D, iso100, 1/40s, F5.6, 55mm

Canon 5D, iso100, 1/40s, F5.6, 105mm

Novamente, a diferença é clara. A única alteração que fiz, nesse caso, foi aumentar a distância focal. A corrente está sempre em foco, mas repare como as casas ao fundo vão gradativamente desfocando.

Finalmente, comparemos a distância de foco. Nesse caso, a única variação consistiu em mudar o ponto de foco de primeiro para o terceiro “trem” (Tijolo? Pedra? Sei lá, vai “trem” mesmo :-)

Canon 5D, iso100, 1/13s, , 80mm, F8

Canon 5D, iso100, 1/13s, , 80mm, F8

Com o ponto de foco mais próximo, o tijolo já aparece meio desfocado, o trem do meio também. Com o foco mais distante, as casas ao fundo ficam menos borradas, o trem do meio também e o tijolo está quase igual. Você poderia achar que é porque os trens de trás estão mais próximos um do outro, mas isso é impressão causada pela perspectiva, os três estão quase equidistantes.

 

Por último, é interessante comparar também câmeras com sensores de tamanhos diferentes, mas ajustadas com configurações semelhantes:

Canon G11, iso100, 1/20s, F4, 18mm (equivalente a 82mm no padrão Full Frame)

Canon 5D, iso100, 1/20s, F4, 73mm


Procurei ajustar as câmeras da forma mais próxima possível. Há uma pequena diferença na distância focal, o que não atrapalha a comparação. Na verdade, isso até favorece a G11, dando a ela um DOF menor devido à maior distância focal. Ainda assim, dá pra perceber que a diferença é significativa.

Como falei anteriormente, não há mistério. Pode demorar um pouco para assimilar essas informações, mas depois que isso acontece, todo o processo de controle de DOF se torna automático e intuitivo. É claro que esse conhecimento não irá surpreendentemente mudar a capacidade da sua câmera, seja ela uma compacta ou DSLR. Mas pode te ajudar a reconhecer maneiras de controlar esse elemento tão importante na fotografia, usando-o a seu favor na composição de uma imagem.

Boas fotos!

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