Arquivo do mês: fevereiro 2011

Revolução no Egito, por Peter Turnley

O site “The Online Photographer” – ou simplesmente TOP -, um dos meus favoritos quando o assunto é fotografia, postou um excelente texto (com maravilhosas imagens) do fotógrafo Peter Turnley, que já trabalhou em outros eventos políticos importantes, como a queda do muro de Berlim, o desmanche soviético, entre muitos outros.

Dessa vez, Turnley foi ao Egito para cobrir o evento – e a potencial renúncia de Mubarak – e chegou no momento mais oportuno possível, capturando o ápice dos protestos e a queda do ditador.

 

Foto de Peter Turnley

Vale a pena conferir todo o trabalho nesse link, em que o fotógrafo relata a sua experiência e divide conosco esse momento tão significativo da História.

Foto de Peter Turnley

Para outros trabalhos e fotos do autor, o site é http://www.peterturnley.com/

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História de uma nuvem

É engraçado como as coisas acontecem. Hoje fui fotografar um pouco porque havia uma nuvem muito diferente no céu: primeiro, ela estava bem clara e contrastando com um fundo bastante escuro; além disso, dentro dela estava relampejando, sendo que o céu estava todo claro!

40mm, F4.0, 6 segundos.

Tripé em mãos, lá fui eu começar a fotografar. Em no máximo 15 minutos, a nuvem tinha se dissipado e a cena deixou de ser interessante. Quando fui colocar as fotos no computador para escolher as melhores, comecei a passar rapidamente por elas e vi que, sem querer, tinha feito uma sequência do seu movimento, desde o momento em que ela estava bem compacta até quando ela quase se dissipava no céu.

Nunca tinha feito um vídeo a partir de sequências de imagens, mas depois de ler um tutorial e 10 minutinhos organizando as fotos, saiu alguma coisa. Gostei, apesar de não ter tido qualquer preocupação de uniformizá-las (sem paciência pra normalizar 45 imagens!).

Esse foi o resultado: 43 fotos e 9 minutos de nuvem.

Nesse link a qualidade está melhor; de qualquer forma, tem uma versão no youtube também:


Aviões fantasma

Observem a diferença que a luz faz.

Durante o dia, a alta iluminação revela tudo: cores, formas, e é possível até mesmo congelar o movimento.

Esquadrilha da fumaça, 2005.

 

Ao final do dia (ou no início), quando a luz é bem menos intensa, ainda é possível congelar o movimento, mas a iluminação indireta (na nuvem e não no avião) propicia um menor contraste, silhuetas e todo um contexto mais suave e agradável.

Aeroporto de Brasília, 2005.


À noite, tudo muda. A pouquíssima luz significa que são necessárias exposições bem mais longas e o avião se torna um vulto marcado apenas por suas luzes; essas, sim, são suficientemente intensas para serem registradas pela câmera.

Avião fantasma nº 1, 2011.

Avião fantasma nº 2, 2011.

 

Essa última foi a minha favorita do dia, parece um avião fantasma mesmo! Mas eu posso assegurar que não é… de qualquer forma, vou dormir com as portas e janelas fechadas hoje, só pra garantir… :-)

Avião fantasma nº 3, 2011.

 


Dia de experimentações

Pra começo de conversa: adoro relâmpagos! Quando vejo que estão “dando a cara”, já preparo a câmera, o tripé, o ipod, pego uma cadeira, vou pro quintal e esqueço do resto.

Dia desses, relampejou. Geralmente, faço fotos “padrão” pra dias com raios: exposição longa, capturando diversos relâmpagos no mesmo frame, do jeito que eu gosto.

Mas dessa vez, os relâmpagos estavam escondidos, brilhando por trás das nuvens. Nessa situação, esse tipo de técnica não tem nem de perto o mesmo resultado. Depois de uma meia hora tentando – sem sucesso – fotografá-los do jeito “normal”, me convenci de que esse não era dia de normalidade, mas de experimentação. Se só temos limões, façamos limonadas, não é?Brilhando por trás das nuvens, o efeito também é interessante, mas faltam os traços no céu. Clique para ampliar a imagem.

 

Desistindo do padrão, era hora de decidir o que fazer. Com tempo, optei por “de tudo um pouco”. Isso foi bom pela oportunidade de praticar técnicas que uso pouco no dia a dia e que podem ter resultados muito bacanas. Decidi focar em três técnicas: focus shift, zoom shift e panning.

Como eu queria um relâmpago nessa imagem…

 

Com as fotos, fica bem fácil entender o que cada uma propicia. Focus shift é a alteração do ponto de foco durante a exposição. Lembram da nossa discussão sobre profundidade de campo? Pois é, ao mudar o foco, os pontos de luz formam esses discos; quanto maior o shift, maiores são os discos. Nas primeiras tentativas, achei esses olhos de gato exageradamente grandes. Ou seja, precisava diminuir o movimento do anel da lente.

Muito shift = graaaandes olhos!

Depois de algumas tentativas – e um pouco de sorte -, cheguei a uma forma que me agradou.

Ah, uma observaão: se o shift for realizado ao longo de toda a exposição, o resultado sairá todo borrado. Como corrigir isso? Mantendo a configuração da câmera inalterada até perto do fim da exposição e só então você faz a mudança. Nessa exposição de 25 segundos, eu só toquei no anel de foco nos últimos 5 segundos, após experimentar outras combinações de tempo.

Zoom shift é parecido, mas nesse caso você altera a distância focal, aumentando ou diminuindo, provocando outro tipo de alteração: esse “arrasto” dos pontos de luz. Nesse caso, eu optei por fazer o movimento de shift durante toda a exposição, já que não queria os pontos de luz carregados demais em nenhuma parte da imagem. Isso pode ser feito sem grande prejuízo do plano de fundo por causa da baixa luminosidade no plano de fundo: nada é registrado muito claramente. Isso quer dizer que, quando há um aumento repentino da luminosidade lá atrás – exatamente no momento de um relâmpago – a imagem registrada é bem mais intensa que em todos os outros momentos da exposição e isso se sobressai, “congelando” o plano de fundo.

Zoom shift. Quando relampeja, a imagem de fundo é “congelada”

 

Finalmente, panning. Basicamente, o pan é feito com o movimento da câmera em um eixo: nesse caso, rotacionei no eixo horizontal e as luzes das casas “riscaram” toda a parte de baixo. Era exatamente isso que eu estava tentando fazer, torcendo por um mísero relâmpago, que apareceu nessa foto! Pra conseguir essa imagem, eu fiz umas 20 ou 30 usando a mesma técnica; na maioria das fotos, não tive sorte de capturar o relâmpago, até que consegui nessa. Da mesma forma que fiz com o zoom shift, optei por fazer o panning durante toda a exposição pra não sobrecarregar um ponto da imagem, sabendo que, com pouca iluminação no fundo, qualquer raio que surgisse seria claramente registrado. E como o movimento era lento, não dava tempo de “borrar” o raio (se o movimento fosse exageradamente rápido, naturalmente o relâmpago iria se “arrastar” na imagem, assim como as luzes de baixo.

Panning.

Gostei de praticar as técnicas e, com o equipamento correto, você pode  conseguir resultados semelhantes. É bom fugir do habitual, de vez em quando. No fim das contas, o resultado do panning foi o meu favorito!

E o seu?


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