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Luz e clima: diferenças práticas

Já falei muitas vezes e não canso de repetir: a luz é essencial. A mesma composição pode trazer resultados dramaticamente diferentes, dependendo da iluminação e das condições climáticas.

Tenho feito uma série com essa árvore, já que gostei de sua posição. Meio isolada e em um local inclinado, ela se destaca na paisagem e isso é um bom ponto de partida  para ser fotografada. Em pouco tempo, já registrei imagens bastante diferentes e imagino que haverá ainda muito mais variações no decorrer do ano. Entre outras coisas, isso é ótimo para estimular a criatividade e um olhar mais apurado, atento a pequenas modificações que fazem tanta diferença em uma foto.

 

19 de janeiro, 18:55hs.

Nessa hora, o sol já se pôs e é possível perceber que a luz é completamente uniforme e sem sombras. A saturação é alta nessa hora. Tecnicamente, não há nadda errado com a imagem, mas ela é monótona e sem nenhum destaque.

 

10 de fevereiro, 06:10hs.

Às 6:10 da manhã, o sol acabou de nascer e a luz ainda é muito suave, com a vantagem de ser mais quente. A posição dos montes permitiu uma iluminação diferenciada, destacando a árvore e mantendo o fundo na sombra. Particularmente, essa é a minha favorita.

 

20 de fevereiro, 21:07hs.

Essa imagem foi feita numa noite de chuva, mas isso não influenciou significativamente o resultado final. É possível notar que a árvore parece mais iluminada, como se houvesse um foco de luz sobre ela. Isso aconteceu devido a uma casa com luzes acessas logo abaixo da árvore, onde eu cortei a foto. A luz da casa, ainda que apenas moderada, foi suficiente para clareá-la.  Além disso, como é noite, outras luzes ao redor – como as dos postes ao fundo – estão acesas e trazem uma tonalidade amarelada e, na minha opinião, bastante agradável à imagem.

 

03 de março, 07:53hs.

A última das imagens que fiz – até agora – tem apenas 10 dias e aconteceu em uma manhã com neblina. Nesse dia, fiz outras fotos poucos minutos depois, mas a neblina avançou tão rapidamente que logo cobriu toda a vista do vale. Mesmo nessa imagem a árvore já está parcialmente coberta e, se a luz não está particularmente bonita, a diferença climática trouxe um efeito totalmente novo à série.

Esse pequeno exercício tem me mostrado – e espero que mostre a você também – que a paisagem, o assunto, é apenas uma das muitas variáveis na composição de uma imagem. Dessa forma, quando você for criar uma fotografia, lembre-se de que alguns minutos – às vezes, segundos – podem fazer toda a diferença, e procure ser paciente e atento às mudanças.


Os tais 45 minutos

Há um tempo atrás – mais precisamente, nesse dia -, eu falei um pouco sobre exposições longas e prometi postar a minha foto de 45 minutos. Ao invés de apenas anexa-la aqui, vou contar a história dela.

Ela foi feita em 11 de junho do ano passado, em uma viagem que fiz com um grande amigo. Nessa foto abaixo, procurei retratá-lo em seu melhor ângulo:

Neander, no escuro e em contra-luz: seu melhor ângulo*! :-p

(*) Não, nada de “tadinho dele!”. Sim, ele mereceu. Sim, eu já comi um naco de raiz forte do tamanho de uma laranja por culpa dele. Moving on…

Fizemos uma expedição fotográfica (recomendo para os amantes de fotografia!) e, numa viagem como essa, não faltam situações para fazer imagens, considerando que você está lá exatamente para isso! Sem outros compromissos, é mais fácil planejar e aproveitar as oportunidades. Com isso em mente, definimos algumas saídas noturnas para fotografar.

No primeiro dia, fiz um banner involuntário para a Ford. Procurando fotografar o carro e o céu, não era possível planejar os outros automóveis passando, considerando que a exposição foi de 2 minutos. No fim das contas, o efeito dos farois “pintando” o fundo  ficou muito bom.

“Banner da Ford”. Em 2 minutos, já é possível perceber o movimento das estrelas.

 

Na mesma noite, continuamos com as exposições longas para capturar o movimento das estrelas. Para isso, quis um primeiro plano mais rústico, combinando com o ambiente. Essa foi de 10 minutos.

Em 10 minutos, o movimento das estrelas fica bem aparente.

 

Na noite seguinte, nova saída. Queríamos uma exposição ainda mais longa e aproveitamos o dia para pesquisar bons locais para fotografar. Achamos essa árvore que serviria para compor a imagem.

Luz do farol do carro em uma exposição longa?? Hmmm… acho que não.

 

Fazer uma foto como essa não é exatamente fácil. São necessárias várias tentativas para 1. calcular a exposição correta; 2. achar a mehor composição e o posicionamento; 3. definir o uso de luz externa, entre outros. Mesmo assim, há uma possibilidade razoável de erro em cada uma dessas variáveis.

Foto de teste para calcular a exposição correta. Uma preocupação a menos!

 

Finalmente, vamos à imagem. Considerando o tempo, não é possível fazer várias tentativas. Não pela espera em si, já que a hora passa voando se você estiver acompanhado, mas pela bateria da câmera. De fato, só tivemos uma chance para fazer a foto. A do Neander, infelizmente ficou bem manchada (alguém esqueceu de tirar o filtro ultra arranhado da lente , aí fica difícil…). A minha não manchou, mas ficou com muito ruído por causa do longo tempo de exposição (o sensor aquece e isso aumenta o ruído da imagem). O resultado colorido foi esse:

Estrelas em formato radial. Isso não é uma coincidência.

 

Para diminuir esse problema do ruído, preferi convertê-la para P&B, achei que ficou melhor.

Resultado final: 45 minutos bem utilizados!

 

Apesar das limitações, gostei do resultado! Ah, você sabia que a linha que as estrelas desenham varia de acordo com a posição da câmera em relação a elas? Usei um GPS para definir a posição, já que queria esse formato radial. É possível também que as estrelas desçam retas ou levemente inclinadas, dependendo da direção da câmera.

FotodaFoto também é ciência! :-)


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