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Dia de experimentações

Pra começo de conversa: adoro relâmpagos! Quando vejo que estão “dando a cara”, já preparo a câmera, o tripé, o ipod, pego uma cadeira, vou pro quintal e esqueço do resto.

Dia desses, relampejou. Geralmente, faço fotos “padrão” pra dias com raios: exposição longa, capturando diversos relâmpagos no mesmo frame, do jeito que eu gosto.

Mas dessa vez, os relâmpagos estavam escondidos, brilhando por trás das nuvens. Nessa situação, esse tipo de técnica não tem nem de perto o mesmo resultado. Depois de uma meia hora tentando – sem sucesso – fotografá-los do jeito “normal”, me convenci de que esse não era dia de normalidade, mas de experimentação. Se só temos limões, façamos limonadas, não é?Brilhando por trás das nuvens, o efeito também é interessante, mas faltam os traços no céu. Clique para ampliar a imagem.

 

Desistindo do padrão, era hora de decidir o que fazer. Com tempo, optei por “de tudo um pouco”. Isso foi bom pela oportunidade de praticar técnicas que uso pouco no dia a dia e que podem ter resultados muito bacanas. Decidi focar em três técnicas: focus shift, zoom shift e panning.

Como eu queria um relâmpago nessa imagem…

 

Com as fotos, fica bem fácil entender o que cada uma propicia. Focus shift é a alteração do ponto de foco durante a exposição. Lembram da nossa discussão sobre profundidade de campo? Pois é, ao mudar o foco, os pontos de luz formam esses discos; quanto maior o shift, maiores são os discos. Nas primeiras tentativas, achei esses olhos de gato exageradamente grandes. Ou seja, precisava diminuir o movimento do anel da lente.

Muito shift = graaaandes olhos!

Depois de algumas tentativas – e um pouco de sorte -, cheguei a uma forma que me agradou.

Ah, uma observaão: se o shift for realizado ao longo de toda a exposição, o resultado sairá todo borrado. Como corrigir isso? Mantendo a configuração da câmera inalterada até perto do fim da exposição e só então você faz a mudança. Nessa exposição de 25 segundos, eu só toquei no anel de foco nos últimos 5 segundos, após experimentar outras combinações de tempo.

Zoom shift é parecido, mas nesse caso você altera a distância focal, aumentando ou diminuindo, provocando outro tipo de alteração: esse “arrasto” dos pontos de luz. Nesse caso, eu optei por fazer o movimento de shift durante toda a exposição, já que não queria os pontos de luz carregados demais em nenhuma parte da imagem. Isso pode ser feito sem grande prejuízo do plano de fundo por causa da baixa luminosidade no plano de fundo: nada é registrado muito claramente. Isso quer dizer que, quando há um aumento repentino da luminosidade lá atrás – exatamente no momento de um relâmpago – a imagem registrada é bem mais intensa que em todos os outros momentos da exposição e isso se sobressai, “congelando” o plano de fundo.

Zoom shift. Quando relampeja, a imagem de fundo é “congelada”

 

Finalmente, panning. Basicamente, o pan é feito com o movimento da câmera em um eixo: nesse caso, rotacionei no eixo horizontal e as luzes das casas “riscaram” toda a parte de baixo. Era exatamente isso que eu estava tentando fazer, torcendo por um mísero relâmpago, que apareceu nessa foto! Pra conseguir essa imagem, eu fiz umas 20 ou 30 usando a mesma técnica; na maioria das fotos, não tive sorte de capturar o relâmpago, até que consegui nessa. Da mesma forma que fiz com o zoom shift, optei por fazer o panning durante toda a exposição pra não sobrecarregar um ponto da imagem, sabendo que, com pouca iluminação no fundo, qualquer raio que surgisse seria claramente registrado. E como o movimento era lento, não dava tempo de “borrar” o raio (se o movimento fosse exageradamente rápido, naturalmente o relâmpago iria se “arrastar” na imagem, assim como as luzes de baixo.

Panning.

Gostei de praticar as técnicas e, com o equipamento correto, você pode  conseguir resultados semelhantes. É bom fugir do habitual, de vez em quando. No fim das contas, o resultado do panning foi o meu favorito!

E o seu?

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